Nene

Nome completo: Tamagnini Gomes Baptista Nené
Data de nascimento: 20 de Novembro de 1949 (Leça da Palmeira)
Campeonato Nacional: 10 títulos (68/69, 70/71, 71/72, 72/73, 74/75, 75/76, 76/77, 80/81,
82/83 e 83/84)
Taça de Portugal: 5 vitórias (71/72, 79/80, 80/81, 82/83 e 84/85)
Supertaça Cândido de Oliveira: 2 vitórias (79/80 e 84/85)
Selecção Nacional: 66 jogos/22 golos
Competições europeias: 55 jogos/28 golos
Source/Fonte - SERBENFIQUISTA.com
Texto - Benfica, 100 Glórias (de João Malheiro)
Tamagnini Gomes B. Nené. Leça da Palmeira. 20 de Novembro de 1949. Avançado.
Épocas no Benfica: 18 (68/86). Jogos: 577. Golos: 361. Títulos: 10 (Campeonato Nacional), 7 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros clubes: Ferroviário da Manga. Internacionalizações: 66.

Nome completo: Tamagnini Gomes Baptista Nené
Data de nascimento: 20 de Novembro de 1949 (Leça da Palmeira)
Campeonato Nacional: 10 títulos (68/69, 70/71, 71/72, 72/73, 74/75, 75/76, 76/77, 80/81,
82/83 e 83/84)
Taça de Portugal: 5 vitórias (71/72, 79/80, 80/81, 82/83 e 84/85)
Supertaça Cândido de Oliveira: 2 vitórias (79/80 e 84/85)
Selecção Nacional: 66 jogos/22 golos
Competições europeias: 55 jogos/28 golos
Source/Fonte - SERBENFIQUISTA.com
Texto - Benfica, 100 Glórias (de João Malheiro)
Tamagnini Gomes B. Nené. Leça da Palmeira. 20 de Novembro de 1949. Avançado.
Épocas no Benfica: 18 (68/86). Jogos: 577. Golos: 361. Títulos: 10 (Campeonato Nacional), 7 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros clubes: Ferroviário da Manga. Internacionalizações: 66.

Equipa 1980/1981
Milhões de miúdos, de jovens, de mais graúdos, com as mais diversas origens e ao longo dos mais diferentes tempos, terão aspirado, aspiram ainda, a vestir o jersey do Benfica. Camisola mítica, familiar pelos quatros cantos do Planeta, quando muito e tão-só comparável à do Real Madrid, do Manchester United, do Bayern de Munique, da Juventus, do Boca Juniores ou do Flamengo, num curto desfile que, estudos sustentam, revela à sociedade os mais famosos e queridos emblemas internacionais, com falanges de aficionados espalhados pelos cinco Continentes.
De nome exótico, Tamagnini Nené, profissional exemplar de futebol, na verdade centenária do seu Benfica. Foi o que mais vezes a águia colocou ao peito. A sua contabilidade pessoal – como duvidar de um escravo da organização - , acusa 941 prestações. Com jogos oficiais e particulares. Do dealbar júnior até à despedida. “Sinto-me um privilegiado. Afinal, foram tantos os jogadores a representar o Benfica e ser logo eu a ter a sorte de jogar mais vezes que todos os outros… Na minha infância ou já na juventude nunca me ocorreu que tal fosse possível. Agora, penso que se trata de um recorde dificilmente ultrapassável”, precisa, com indisfarçável enleio.
Afinal, tudo começou com uma fotografia. A estampa veio no “Noticias da Beira”. Era o garoto Nené, equipado com as cores do Ferroviário da Manga, em pose de futebolista. O pai, antigo jogador do Lusitano de Vila Real, crente nas potencialidades do filho, enviou o precioso documento para Lisboa, ao cuidado de Cavem, seu primo carnal, já figura grada da família vermelha, à custa de dois títulos europeus e de competições nacionais de-se-lhe-perder-a-conta.
O miúdo na altura encantava. Tinha apenas 15 anos e corria, corria que se fartava, a todos batendo em velocidade. Gostava de plasmar o jogo, daí que a opção fosse para o centro do terreno. Esse e outros atributos foram constatados in loco por um tal sr. Rodrigues, emissário benfiquista, alertado por um telefonema intercontinental, procedente da Rua do Jardim Regedor, tudo depois de, em boa hora, Cavem ter feito o trabalho que nem de sapa precisou ser.
Só faltava fechar o negócio. Os dirigentes do clube moçambicano começaram por pedir 900 contos pela desobrigação contratual de Nené, à época com 17 anos. Uma fortuna! Objectou o Benfica, no limite foram oferecidos 300 contos, maquia já tida por expressiva. A nega dos homens da ex-colónia deixou a família de Nené com arrepios até à raiz dos cabelos. Só que não primando propriamente pelo rigor, os dirigentes do Ferroviário da Manga esqueceram-se de notificar o jogador, como os regulamentos exigiam, para a renovação do vinculo. Melhor era impossível, caída do céu, qual carta de alforria! O pai de Nené apressou-se a comunicar ao Benfica, o bilhete de avião chegaria num ápice, a ver navios ficaram os gulosos moçambicanos.
No dia do Entrudo, chegava a Lisboa, logo tomando a direcção da Calçada do Tojal. No Lar do Jogador conheceu caras novas e cedo encontrou Vítor Martins e Raul Águas os companheiros para maiores cumplicidades. No campo ficou entregue aos bons ofícios do mestre Ângelo. Época e meia fez como júnior, campeão nacional da categoria se sagrou, com o aditivo de ter marcado importante golo, na vitória sobre a Académica, por 2-1, mesmo por debaixo do majestático Castelo de Leiria.
Aquele que já havia sido laureado com o prémio de melhor júnior do ano, em Moçambique, não deixou de experimentar algumas dificuldades, até à afirmação plena na equipa principal do Benfica. Dois anos andou, entre os seniores, numa espécie de penumbra. Regularmente, actuava apenas na reserva, mais não tendo feito que uma vintena de jogos pela turma de honra. Jaime Graça, Toni, Eusébio, Torres, Artur Jorge ou Simões não pareciam desalojáveis do estatuto da titularidade.
Nené soube ser precatado. E se Otto Glória até não desdenhava do seu talento, rendido ficou Jimmy Hagan. O britânico passou a utilizá-lo a extremo-direito, com o propósito de optimizar a velocidade. A partir da segunda metade da temporada 70/71, Nené haveria de fixar-se, quase sempre com aquele “7” nas costas, número que viraria carismático pelas bandas da Luz.
Criou o hábito da vitória. No Campeonato, na Taça, nos jogos europeus, ao serviço da Selecção, cuja chamada não tardou, mesmo sem que soubesse que um dia seria o mais internacional dos jogadores portugueses. Na defesa das cores nacionais, no ano de 1972, altura em que foi eleito “Atleta do Ano”, Nené participou na Minicopa, no Brasil. À final chegava Portugal, com uma das mais vermelhas equipas de sempre, na qual apenas os sportinguistas Peres e Dinis conquistariam o direito de se divertirem entre os benfiquistas.
Ultrapassados os consulados de Hagan e de Pavic, com Cabrita de permeio, a época de 75/76 abre com novo líder na oficina encarnada. Mário Wilson descobre em Nené o killer intinct, como dizem os ingleses, susceptível dele fazer um ponta-de-lança. Desafio aceita e lá partiu o jogador, mais voraz que nunca, para o magistério do golo. “Ele é um fora-de-série indiscutível e discutido. Naturalmente frio como todo o jogador super-inteligente, Nené é um craque de explosões irresistíveis e de velocidade diabólica, para além de rematador fulminante de cabeça e com qualquer dos pés. Jogador de rara inteligência a actuar. É um criador exímio de espaços livres, um grande futebolista com e sem bola”. O velho capitão Wilson dixit.
Também pela sua singularidade enquanto jogador, Nené fez crescer água na boca aos responsáveis de grandes equipas europeias. Se o Arsenal e o Anderlecht tentaram a sua sorte, entre muitos outros, o Real Madrid, em 72, esteve próximo de garantir o seu concurso. Valeu a intransigência do Benfica e o proibitivo pedido de Borges Coutinho, até mesmo para os normalmente abastados cofres madrilenos.
“Financeiramente, sempre fui pouco ambicioso, nunca me importei com o que os outros ganhavam, já que ganhei no Benfica aquilo que mereci, dentro das possibilidades do clube”. Mesmo após ter ganho a Bola de Prata, em 80/81, muitos anos depois de ter vestido a camisola azul da Selecção da Europa, ao lado de Eusébio, Cruijff ou Facchetti.
No Glorioso, em jogos oficiais, Nené é o terceiro melhor marcador, a seguir a Eusébio, “o meu ídolo”, e a José Águas. Nessa matéria, destaca como momentos apolíneos de uma carreira brilhante, os cinco golos que marcou ao Ajax, no Torneio de Paris, disputado no Parque dos Príncipes, para gáudio dos emigrantes, no fantástico triunfo, por 5-0. Ou os três que apontou ao FC Porto, numa final da Taça de Portugal, no Jamor, invariavelmente assistido pelo companheiro Shéu. Mas para alegria não só dos benfiquistas como dos devotos de outras cores, como não recordar o golo que marcou à Roménia, no Euro 84, garantia da qualificação de Portugal para as meias-finais do certame. Nesse jogo, a nove minutos do fim, com o então sportinguista Jordão e o portista Gomes em campo, foi Nené a fazer a despesa, ele que havia saltado do banco, como que persuadido da protecção dos deuses.
Aos quadros do Benfica pertence até hoje. Após abandonar a prática da modalidade, em 86, dedicou-se ao futebol juvenil do clube, ainda que tenha feito uma fugaz incursão nos seniores, coadjuvando Mário Wilson. Com propriedade se poderá dizer que o seu endereço é Avenida General Norton de Matos.
A prosa dedicada a Nené ficaria incompleta se olvidado fosse que conviveu sempre com o estigma de não sujar os calções. “Se não os sujava era porque achava que não precisava”. E não mesmo. Ponto final.
Source/Fonte - FPF.pt

NENÉ 1949-…
Discreto, quase em silêncio, entrou na História
Nome: Tamagnini Manuel Gomes Baptista Nené
Data de nascimento: 20-11-1949
Naturalidade: Leça da Palmeira
Posição:avançado
Clubes principais: Benfica
Jogos pela Selecção Nacional: 66/22 golos
Estreia: 21-4-1971, em Lisboa, frente à Escócia (2-0)
Último jogo: 23-6-1984, em Marselha, frente à França (2-3)

NENÉ 1949-…
Discreto, quase em silêncio, entrou na História
Nome: Tamagnini Manuel Gomes Baptista Nené
Data de nascimento: 20-11-1949
Naturalidade: Leça da Palmeira
Posição:avançado
Clubes principais: Benfica
Jogos pela Selecção Nacional: 66/22 golos
Estreia: 21-4-1971, em Lisboa, frente à Escócia (2-0)
Último jogo: 23-6-1984, em Marselha, frente à França (2-3)
Ficou conhecido como o jogador que não sujava os calções. A crítica era feita com certa maldade, apontando o seu estilo característico de fugir aos confrontos físicos directos, como se jogasse de pantufas, quase sem se dar por ele. Aos detractores, Nené respondia com golos. Com muitos e muitos golos.
Nascido em Leça da Palmeira, Tamagnini Nené viveria grande parte da sua infância e juventude em Moçambique. Lá se tornou jogador e de lá veio para o Benfica, em 1967. Foi o brasileiro Otto Glória que o lançou na primeira equipa, mas seria o inglês Jimmy Hagan a apostar verdadeiramente nas suas qualidades. Nené começou por ser extremo-direito. Veloz, de drible longo, com facilidade em chegar à linha de fundo e tirar cruzamentos precisos, ganhou rapidamente o estatuto de grande jogador da sua geração. Numa linha avançada que contava com Eusébio, Jordão e Artur Jorge, não demorou a atingir o reconhecimento internacional e, por várias vezes, esteve para sair do Benfica tantos eram os convites para clubes de nomeada como, por exemplo, o Real Madrid. Mas Nené ficaria no Benfica até ao fim da sua carreira, mantendo-se na Luz, depois, como treinador das camadas jovens.
Em 1973 foi convocado para uma Selecção da Europa, juntamente com jogadores como Eusébio, Cruyff ou Fachetti. A partir de 1975, Mário Wilson fez dele ponta-de-lança. E Nené cumpriu o seu destino de fazer golos, tirando partido de uma frieza admirável que dava a sensação de passar pelo jogo com as emoções congeladas.
Garantiu lugar na história da Selecção Nacional quando, com 66 internacionalizações, se tornou no jogador que mais vezes vestira a camisola das quinas. Estava com 34 anos. Numa carreira quase isenta de lesões, Nené foi sempre um dos que soube dizer presente em momentos decisivos da vida da «equipa de todos nós». É verdade que a sua geração falhou as fases finais dos Europeus e Mundiais pelas quais lutou nas fases preliminares. Mas, em 1984, Nené esteve em França, já decano de uma Selecção Nacional que o tinha no banco de suplentes. Foi do banco de suplentes que saiu, naquela tarde de Nantes, frente à Roménia, para fazer o golo que colocava Portugal de novo numas meias-finais, dezoito anos depois de 1966. Discreto, quase em silêncio, entrou na História. Também por isso, a Selecção Nacional nunca poderia esquecê-lo.
Source/Fonte - ABOLA: "100 figuras do futebol português"

Tamagnini Nené
Natural de Matosinhos – 20 de Novembro de 1949
Foi uma fotografia publicada no jornal Notícias da Beira que abriu
o caminho da Luz a Nené. Seu pai, Tamagnini como ele, jogara
futebol no Lusitano de Vila Real de Santo António e, por isso,
garboso, como se fosse preciosidade, enviou para Lisboa o
recorte. O destinatário era... Domiciano Cavém, que ainda jogava
no Benfica e era primo de Nené.
O futebol estava-lhe, pois, na massa do sangue. Porque o campo
do Ferroviário de Namanga era perto de sua casa, na Beira, aos
15 anos, inscreveu-se na equipa de juniores. Famoso ficaria, de
súbito, pela velocidade estonteante. Era disso que falava o recorte
que Cavém recebeu em Lisboa. Não tardou a mostrá-lo aos directores do Benfica.
Informações pediram para Moçambique, olheiros de lá não se pouparam a encómios, por
isso, da Luz mandaram para casa de Tamagnini Nené bilhete de avião Lourenço Marques-
Lisboa. Tinha 17 anos quando chegou ao que então se chamava a metrópole.
Queriam 900 contos, não receberam um tostão!
Mas não fora fácil o negócio. Dirigentes do Ferroviário de
Namanga pediram pela carta de libertação de Nené 900 contos,
que era o que custava, por cá, jogador já de boa cotação. Por
vezes, quem tudo quer tudo perde. O Benfica contrapusera 300
contos, que mesmo assim já era abrir em demasia os cordões à
bolsa. Que não, redarguiram os moçambicanos, que, assim, nada
feito. Mas tão obcecados estavam com a possibilidade de encher
os cofres sempre vazios que se esqueceram de notificar Nené
para renovação da inscrição para o ano seguinte. Por esse lapso
ficou Tamagnini livre para se inscrever onde lhe aprouvesse. Sabendo-o, o pai correu a
embarcá-lo para Lisboa, sem que o Ferroviário recebesse um tostão! A Lisboa chegaria no
dia de Carnaval, com a mala a abarrotar de sonhos. Estabeleceu-se no Lar do Benfica, em
breve Raul Águas e Vítor Martins se tornaram os seus grandes amigos. Do Lar, onde
residiu durante um ano, saltaria para casa de um amigo da família, onde se lhe juntaria o
irmão, Fernando, que para o Benfica viera, igualmente, à conquista de glória, mas
depressa se deixaria de futebóis, dedicando-se de tal modo aos estudos que se afamaria
como engenheiro electrónico.
Dois anos jogaram ambos nos juniores do Benfica, mas, no arranque para a temporada de
1969/70, Tamagnini Nené deu o grande salto para o fastígio, estreando-se na primeira
categoria do Benfica, contra a Cuf, lançado por Otto Glória. Em Outubro de 1970 assentou
praça, fez a recruta na Serra da Carregueira e especializou-se em Lanceiros 2. As
obrigações militares buliram-lhe com os treinos, começou a demonstrar cansaço muscular,
Jimmy Hagan deixou de contar com ele.
No ano seguinte, era ainda Jaime Graça o habitual extremo-direito do Benfica, Nené
marcava passo. Em partida contra o Vitória de Setúbal, Graça lesionou-se, Hagan lançou
Nené para a direita, a dois minutos do intervalo. O Benfica perdia por 0-1. Retomado o
jogo, Nené, que jamais jogara a extremo, através da sua velocidade supersónica fez gatosapato
de Carriço, pouco habituado a sprints assim. Graças a Nené, o Benfica acabaria por
ganhar por 2-1.
Hagan suspirou de alívio e pensou de si para si que retirara mais um coelho da sua mágica
cartola. Por isso, integrou Nené na comitiva que, pouco depois, abalaria para o Japão e
para o Médio Oriente, para jogar, exoticamente, na Pérsia e na... Indonésia, quando
Suharto ainda «adorava os portugueses». Nené vinha de peito feito à primeira categoria.
Não esperaria muito para melhor perceber como os alcatruzes da nora bem simbolizam a
vida de todos os homens. No reatamento do Campeonato de 1970/71, Hagan
esquematizou o seu futebol em 4-3-3, em que Matine, Jaime Graça e Simões formavam o
trio do meio-campo e Torres, Eusébio e Artur Jorge o terceto mais adiantado. O Sporting
parecia em passo estugado para a revalidação do título, os benfiquistas começavam a
descrer de si, a descrer de Hagan. Por isso (é sempre assim, a psicologia das massas...),
de quando em vez levantavam-se assobios a assuadas na Luz. Mas Hagan era inglês e
gostava muito de falar das aventuras de Robin Hood. A velocidade de pernas de Nené, a
sua vertiginosa corrida para o cruzamento ou para o golo eram novidades a que quase
ninguém se habituara no futebol português de então.
A reviravolta no Campeonato começara em Nené, no segundo jogo da segunda volta, no
Barreiro, contra a Cuf, precisamente onde, um ano antes, jogara pela primeira vez com a
camisola da equipa de honra do Benfica, substituindo o lendário Mário Coluna apenas 24
horas depois de ter jogado todo o tempo, em Alvalade, contra o Sporting, em reservas.
Não muito depois, Fernando Vaz e Moniz Pereira ficariam com todas as esperanças mortas
no jogo na Luz, em que Nené voltou a ser a flecha do arco com que Hagan abateu os
leões e assim conquistou o primeiro dos seus três títulos consecutivos ao serviço do
Benfica.
Premunição e dinheiro perdido
Nené foi sempre um jogador sentimental. Por sê-lo talvez tenha perdido muito dinheiro.
Apenas uma vez esteve com um pé fora da Luz. Em 1972, o Real Madrid tentou contratálo,
o Benfica exigiu 15 mil contos pela sua carta de libertação, os espanhóis acharam de
mais, ele ficou a perder um ordenado de... 200 contos por mês! No tempo de Pedroto, o
F. C. Porto também lhe lançou canto de sereia. Disse não, como diria, ao Sporting, porque
o que lhe dava não compensava o sentimento de estar a trair o seu coração, jogando com
outra camisola que não fosse a do Benfica. «Financeiramente, sempre fui pouco
ambicioso, nunca me importei com o que os outros ganhavam, ganhei no Benfica aquilo
que mereci, dentro das possibilidades do clube. No futebol português só se começou a
ganhar dinheiro, verdadeiramente, no início da década de 80, por isso tive apenas cinco
épocas para me realizar financeiramente...»
Para a história, para além dos seus golos, para além das suas glórias, há-de ficar sempre
como o jogador que nunca sujava os calções. «Se não os sujava era porque achava que
não era preciso. Mas muito mais injusto que isso foi a ideia que se criou de que era um
jogador pouco lutador.»
Ponto alto da sua carreira, a presença no Europeu de França, durante o qual se tornaria
recordistade internacionalizações, ultrapassando Eusébio e Humberto. Foi um golo seu,
contra a Roménia, a nove minutos do fim, que colocou Portugal nas meias-finais. Estava
no banco, e como que por inspiração divina disse a Fernando Cabrita que sentia que se
entrasse... marcaria o golo da vitória .Houve quem, a seu lado, sorrisse cinicamente.
Pouco depois entrou e marcou. Premunições. Em meados de 1986 fechou a carreira de
jogador, tornando-se coordenador do futebol juvenil do Benfica. Até 1998.

Tamagnini Nené
Natural de Matosinhos – 20 de Novembro de 1949
Foi uma fotografia publicada no jornal Notícias da Beira que abriu
o caminho da Luz a Nené. Seu pai, Tamagnini como ele, jogara
futebol no Lusitano de Vila Real de Santo António e, por isso,
garboso, como se fosse preciosidade, enviou para Lisboa o
recorte. O destinatário era... Domiciano Cavém, que ainda jogava
no Benfica e era primo de Nené.
O futebol estava-lhe, pois, na massa do sangue. Porque o campo
do Ferroviário de Namanga era perto de sua casa, na Beira, aos
15 anos, inscreveu-se na equipa de juniores. Famoso ficaria, de
súbito, pela velocidade estonteante. Era disso que falava o recorte
que Cavém recebeu em Lisboa. Não tardou a mostrá-lo aos directores do Benfica.
Informações pediram para Moçambique, olheiros de lá não se pouparam a encómios, por
isso, da Luz mandaram para casa de Tamagnini Nené bilhete de avião Lourenço Marques-
Lisboa. Tinha 17 anos quando chegou ao que então se chamava a metrópole.
Queriam 900 contos, não receberam um tostão!
Mas não fora fácil o negócio. Dirigentes do Ferroviário de
Namanga pediram pela carta de libertação de Nené 900 contos,
que era o que custava, por cá, jogador já de boa cotação. Por
vezes, quem tudo quer tudo perde. O Benfica contrapusera 300
contos, que mesmo assim já era abrir em demasia os cordões à
bolsa. Que não, redarguiram os moçambicanos, que, assim, nada
feito. Mas tão obcecados estavam com a possibilidade de encher
os cofres sempre vazios que se esqueceram de notificar Nené
para renovação da inscrição para o ano seguinte. Por esse lapso
ficou Tamagnini livre para se inscrever onde lhe aprouvesse. Sabendo-o, o pai correu a
embarcá-lo para Lisboa, sem que o Ferroviário recebesse um tostão! A Lisboa chegaria no
dia de Carnaval, com a mala a abarrotar de sonhos. Estabeleceu-se no Lar do Benfica, em
breve Raul Águas e Vítor Martins se tornaram os seus grandes amigos. Do Lar, onde
residiu durante um ano, saltaria para casa de um amigo da família, onde se lhe juntaria o
irmão, Fernando, que para o Benfica viera, igualmente, à conquista de glória, mas
depressa se deixaria de futebóis, dedicando-se de tal modo aos estudos que se afamaria
como engenheiro electrónico.
Dois anos jogaram ambos nos juniores do Benfica, mas, no arranque para a temporada de
1969/70, Tamagnini Nené deu o grande salto para o fastígio, estreando-se na primeira
categoria do Benfica, contra a Cuf, lançado por Otto Glória. Em Outubro de 1970 assentou
praça, fez a recruta na Serra da Carregueira e especializou-se em Lanceiros 2. As
obrigações militares buliram-lhe com os treinos, começou a demonstrar cansaço muscular,
Jimmy Hagan deixou de contar com ele.
No ano seguinte, era ainda Jaime Graça o habitual extremo-direito do Benfica, Nené
marcava passo. Em partida contra o Vitória de Setúbal, Graça lesionou-se, Hagan lançou
Nené para a direita, a dois minutos do intervalo. O Benfica perdia por 0-1. Retomado o
jogo, Nené, que jamais jogara a extremo, através da sua velocidade supersónica fez gatosapato
de Carriço, pouco habituado a sprints assim. Graças a Nené, o Benfica acabaria por
ganhar por 2-1.
Hagan suspirou de alívio e pensou de si para si que retirara mais um coelho da sua mágica
cartola. Por isso, integrou Nené na comitiva que, pouco depois, abalaria para o Japão e
para o Médio Oriente, para jogar, exoticamente, na Pérsia e na... Indonésia, quando
Suharto ainda «adorava os portugueses». Nené vinha de peito feito à primeira categoria.
Não esperaria muito para melhor perceber como os alcatruzes da nora bem simbolizam a
vida de todos os homens. No reatamento do Campeonato de 1970/71, Hagan
esquematizou o seu futebol em 4-3-3, em que Matine, Jaime Graça e Simões formavam o
trio do meio-campo e Torres, Eusébio e Artur Jorge o terceto mais adiantado. O Sporting
parecia em passo estugado para a revalidação do título, os benfiquistas começavam a
descrer de si, a descrer de Hagan. Por isso (é sempre assim, a psicologia das massas...),
de quando em vez levantavam-se assobios a assuadas na Luz. Mas Hagan era inglês e
gostava muito de falar das aventuras de Robin Hood. A velocidade de pernas de Nené, a
sua vertiginosa corrida para o cruzamento ou para o golo eram novidades a que quase
ninguém se habituara no futebol português de então.
A reviravolta no Campeonato começara em Nené, no segundo jogo da segunda volta, no
Barreiro, contra a Cuf, precisamente onde, um ano antes, jogara pela primeira vez com a
camisola da equipa de honra do Benfica, substituindo o lendário Mário Coluna apenas 24
horas depois de ter jogado todo o tempo, em Alvalade, contra o Sporting, em reservas.
Não muito depois, Fernando Vaz e Moniz Pereira ficariam com todas as esperanças mortas
no jogo na Luz, em que Nené voltou a ser a flecha do arco com que Hagan abateu os
leões e assim conquistou o primeiro dos seus três títulos consecutivos ao serviço do
Benfica.
Premunição e dinheiro perdido
Nené foi sempre um jogador sentimental. Por sê-lo talvez tenha perdido muito dinheiro.
Apenas uma vez esteve com um pé fora da Luz. Em 1972, o Real Madrid tentou contratálo,
o Benfica exigiu 15 mil contos pela sua carta de libertação, os espanhóis acharam de
mais, ele ficou a perder um ordenado de... 200 contos por mês! No tempo de Pedroto, o
F. C. Porto também lhe lançou canto de sereia. Disse não, como diria, ao Sporting, porque
o que lhe dava não compensava o sentimento de estar a trair o seu coração, jogando com
outra camisola que não fosse a do Benfica. «Financeiramente, sempre fui pouco
ambicioso, nunca me importei com o que os outros ganhavam, ganhei no Benfica aquilo
que mereci, dentro das possibilidades do clube. No futebol português só se começou a
ganhar dinheiro, verdadeiramente, no início da década de 80, por isso tive apenas cinco
épocas para me realizar financeiramente...»
Para a história, para além dos seus golos, para além das suas glórias, há-de ficar sempre
como o jogador que nunca sujava os calções. «Se não os sujava era porque achava que
não era preciso. Mas muito mais injusto que isso foi a ideia que se criou de que era um
jogador pouco lutador.»
Ponto alto da sua carreira, a presença no Europeu de França, durante o qual se tornaria
recordistade internacionalizações, ultrapassando Eusébio e Humberto. Foi um golo seu,
contra a Roménia, a nove minutos do fim, que colocou Portugal nas meias-finais. Estava
no banco, e como que por inspiração divina disse a Fernando Cabrita que sentia que se
entrasse... marcaria o golo da vitória .Houve quem, a seu lado, sorrisse cinicamente.
Pouco depois entrou e marcou. Premunições. Em meados de 1986 fechou a carreira de
jogador, tornando-se coordenador do futebol juvenil do Benfica. Até 1998.
Source/Fonte - ABOLA: "Os goleadores do século"
Nené – Goleador com pele de serpente / 312 golos

Um caso de fidelidade máxima ao Benfica. Dezassete épocas ao seu
serviço, detentor do record de jogos com a camisola encarnada a
contar para o Campeonato, Tamagnini Nené constitui um dos grandes
símbolos do clube ao serviço do qual se sagrou campeão nacional por
10 vezes.
Quando surgiu na primeira equipa dava a ideia de ter o destino
traçado: extremo-direito rápido, talentoso, bom municiador dos
pontas-de-lança. Mas a relação duradoura e feliz com o golo, como
autêntico ponta-de-lança, começou na época de 1975/76, sob o
comando de Mário Wilson, a primeira sem Eusébio e Artur Jorge, a
última com Jordão.
Nené é um caso paradigmático de inteligência ao serviço do futebol. Não era poderoso
fisicamente, não tinha o perfil do homem de área, não era um lutador por excelência, às vezes
até dava a ideia de encarar o jogo sem paixão. Foi, no entanto, um dos maiores goleadores de
sempre do futebol português. E isso porque foi capaz de aproveitar outras qualidades e tornálas
importantes para alimentar o prazer do golo: velocidade (sobretudo sem bola), instinto na
desmarcação, óptima percepção das debilidades adversárias, profundo conhecimento das
características dos companheiros, visão larga sobre o desenvolvimento do jogo e uma frieza
por vezes cruel na abordagem que fazia aos guarda-redes.
A relação com o Terceiro Anel não foi a mais pacífica. Que não sujava os calções, que não
metia o pé, que não se esforçava como outros. Conturbações que terminavam no abraço,
centenas de vezes repetido, de um golo.
Estreia no campeonato
18 de Novembro de 1968
Treinador: Otto Glória
Adversário: V. Guimarães
Resultado: 0-0
Incidências: entrou aos 72 m, a substituir Raul Águas
Currículo
Nome completo: Tamagnini Gomes Baptista Nené
Data de nascimento: 20 de Novembro de 1949 (Leça da Palmeira)
Campeonato Nacional: 10 títulos (68/69, 70/71, 71/72, 72/73, 74/75, 75/76, 76/77, 80/81,
82/83 e 83/84)
Taça de Portugal: 5 vitórias (71/72, 79/80, 80/81, 82/83 e 84/85)
Supertaça Cândido de Oliveira: 2 vitórias (79/80 e 84/85)
Selecção Nacional: 66 jogos/22 golos
Competições europeias: 55 jogos/28 golos
Nené – Goleador com pele de serpente / 312 golos

Um caso de fidelidade máxima ao Benfica. Dezassete épocas ao seu
serviço, detentor do record de jogos com a camisola encarnada a
contar para o Campeonato, Tamagnini Nené constitui um dos grandes
símbolos do clube ao serviço do qual se sagrou campeão nacional por
10 vezes.
Quando surgiu na primeira equipa dava a ideia de ter o destino
traçado: extremo-direito rápido, talentoso, bom municiador dos
pontas-de-lança. Mas a relação duradoura e feliz com o golo, como
autêntico ponta-de-lança, começou na época de 1975/76, sob o
comando de Mário Wilson, a primeira sem Eusébio e Artur Jorge, a
última com Jordão.
Nené é um caso paradigmático de inteligência ao serviço do futebol. Não era poderoso
fisicamente, não tinha o perfil do homem de área, não era um lutador por excelência, às vezes
até dava a ideia de encarar o jogo sem paixão. Foi, no entanto, um dos maiores goleadores de
sempre do futebol português. E isso porque foi capaz de aproveitar outras qualidades e tornálas
importantes para alimentar o prazer do golo: velocidade (sobretudo sem bola), instinto na
desmarcação, óptima percepção das debilidades adversárias, profundo conhecimento das
características dos companheiros, visão larga sobre o desenvolvimento do jogo e uma frieza
por vezes cruel na abordagem que fazia aos guarda-redes.
A relação com o Terceiro Anel não foi a mais pacífica. Que não sujava os calções, que não
metia o pé, que não se esforçava como outros. Conturbações que terminavam no abraço,
centenas de vezes repetido, de um golo.
Estreia no campeonato
18 de Novembro de 1968
Treinador: Otto Glória
Adversário: V. Guimarães
Resultado: 0-0
Incidências: entrou aos 72 m, a substituir Raul Águas
Currículo
Nome completo: Tamagnini Gomes Baptista Nené
Data de nascimento: 20 de Novembro de 1949 (Leça da Palmeira)
Campeonato Nacional: 10 títulos (68/69, 70/71, 71/72, 72/73, 74/75, 75/76, 76/77, 80/81,
82/83 e 83/84)
Taça de Portugal: 5 vitórias (71/72, 79/80, 80/81, 82/83 e 84/85)
Supertaça Cândido de Oliveira: 2 vitórias (79/80 e 84/85)
Selecção Nacional: 66 jogos/22 golos
Competições europeias: 55 jogos/28 golos
Source - WIKIPEDIA.org


Tamagnini Manuel Gomes Baptista, used nickname Nené (pron. IPA: [nɛ.'nɛ]) (born November 20, 1949 in Leça da Palmeira) was a Portuguese footballer.
Nené played as a winger or free roaming attacker for Sport Lisboa e Benfica throughout his career, from 1966, making his debut for the main team, in 1967/68, until his retirement in 1986 at the age of 36.
Nené was the Portuguese Footballer of the Year in 1971 and also runner up in 1972, which was achieved whilst competing with his team mate Eusebio. [1]
He is the second Sport Lisboa e Benfica top scorer in European competitions with 28 goals in 75 appearances. [2]. He played at the UEFA Cup finals 1983, which were lost to RSC Anderlecht.
As a player, he became one of the living symbols of Benfica, winning 11 national championships.
Domestic Honours
11 x Portuguese Liga winner: 1967/68, 1968/69, 1970/71, 1971/72, 1972/73, 1974/75, 1975/76, 1976/77, 1980/81, 1982/83 and 1983/84.
8 x Cup of Portugal winner: 1968/69 1969/70 1971/72 1979/80 1980/81 1982/83 1984/85 and 1985/86.
2 x SuperCup Cândido de Oliveira winner: 1980 and 1985.
He was also the top scorer of the Portuguese Liga twice. [3]
In 1972-73, Nené was a star player for Sport Lisboa e Benfica when they became the only ever club in Portugal to last a whole season without defeat and won 28 matches - 23 consecutively - out of 30, and drew two. The team scored 101 goals, breaking 100 only for the second time in their history.
National Team
Nené is currently tenth in the all-time appearance records for Portugal with 66 caps. [4]. He is also 7th in the all-time goalscoring records too with 22 goals. He has the 3rd best goals to games ratio of the Portuguese national team with only Eusebio and Nuno Gomes (also Benfica players ) having better.
In the Portuguese national team he debuted at April 21, 1971 in the European Championship qualifier against Scotland (2-0).
After his last match at the European championship finals on 23 June 1984 he had accumulated 66 matches for Portugal, scoring 22 goals, a caps record that would last until 1994, when was broken by João Domingos Pinto.
He scored the winning goal against Romania (1-0) on June 20, 1984, becoming the oldest player to score in the European championship finals at age 34 years, 213 days. His record was broken only 24 years later, when Ivica Vastic scored in the 2008 European championship finals against Poland. [5] His goal led Portugal to the semi-finals versus hosts France, where he played as a substitute, but could not avert the defeat (2-3) in extra-time.
After ending his career, he became a youth coach with Sport Lisboa e Benfica.









