Meão de altura, enorme de talento
Nome: João Manuel Vieira Pinto
Data de nascimento: 19-8-1971
Naturalidade: Porto
Posição: médio de ataque
Clubes principais: Boavista, Benfica e Sporting
Jogos pela Selecção Nacional: 81/23 golos
Estreia: 12-10-1991, no Luxemburgo, frente ao Luxemburgo (1-1)
Último jogo: 14-6-2002, em Incheon, frente à Coreia do Sul (0-1)

Nascido no Bairro do Falcão, no Porto, João Vieira Pinto transformou-se rapidamente numa das pérolas mais brilhantes desse colar precioso que brotou dos Campeonatos do Mundo de juniores de 1989 e 1991 conquistados por Portugal. Apesar da sua pequena estatura e aparente fragilidade, ganhou um espaço único naquela zona do campo meio híbrida em que um médio se transforma em avançado, recuperando a bola, trocando-a com os companheiros, surgindo na área contrária para concluir os movimentos à custa de golos apontados com a cabeça ou com qualquer dos pés. A sua impulsão é impressionante e os estragos capaz de fazer nos lances aéreos consideráveis. Além disso possui um pontapé forte e colocado que lhe permite fazer muitos golos em remates de longe.
Manuel José, um dos seus treinadores mais marcantes, dizia que João Vieira Pinto já sabia o que ia fazer da bola antes de a receber. Foi talvez essa a característica que o impôs bem cedo na equipa do Boavista de onde saiu para uma experiência fracassada no Atlético de Madrid (nunca jogou pelos «colchoneros» e limitou-se a presenças na filial, Atlético Madrileño). Natural: tinha apenas 17 anos. Regressou ao Bessa por pouco tempo. O Benfica abriu-lhe as portas, apesar da insistência do grande rival Sporting. Foi já no Benfica, e ao serviço da Selecção Nacional, na véspera de um jogo em Glasgow, que lhe detectaram um pneumotórax. Consequência: afastamento dos relvados por uns meses e uma sombra escura acastelando-se sobre o seu futuro como jogador de futebol.
João Vieira Pinto voltou a jogar em toda a sua plenitude. Ou talvez melhor ainda. Com ele em campo, o Benfica construiu uma das equipas mais brilhantes das últimas décadas, na qual pontificavam igualmente Rui Costa, Paulo Sousa, Rui Águas, Vítor Paneira e Paulo Futre, todos largamente «internacionais». Era um Benfica que vivia muito além das suas possibilidades e se condenou à falência financeira e desportiva. No «Verão Escaldante» de 1993, as rescisões de contrato estavam na ordem do dia no Estádio da Luz. A equipa ameaçava desfazer-se; Paulo Sousa e Pacheco já haviam fugido para o outro lado da Segunda Circular, assinando pelo Sporting. João Vieira Pinto parecia seguir o mesmo caminho: rescindiu o seu contrato com justa causa e comprometeu-se com os «leões». Um período de férias em Espanha e um encontro com os dirigentes do Benfica alteraram o sentido das coisas de forma radical. João Vieira Pinto manteve-se na Luz e deu início a uma época de esplendor, na qual cometeu a proeza de conduzir as «águias» a uma vitória inesquecível em Alvalade (6-3), num encontro que serviu para definir o título de campeão e no qual marcou 3 golos.
A queda do Benfica era, no entanto, irreversível. João Vieira Pinto viu partir grandes jogadores e chegarem jogadores medíocres. Foi a bandeira e o emblema de um clube à deriva, ficou longe dos títulos e pagou por tudo isso com a ingratidão de o não quererem mais. Seguiu, finalmente, para Alvalade, onde foi recebido com o carinho próprio de uma plateia que sempre o quisera de verde e branco. Mas, a crise chegou também ao Sporting. Considerado excessivamente caro para os cofres do clube, restou-lhe voltar às origens e ao Boavista.
O seu último jogo pela Selecção Nacional foi triste. Sobretudo para um jogador que desde os 15 anos se habituara a trazer ao peito as cinco quinas de Portugal. Depois de uma expulsão e um castigo duro por parte da FIFA, "o grande artista" não voltou a ser convocado. João Vieira Pinto somou oitenta e uma «internacionalizações» na Selecção A. Um número impressionante! Duas fases finais de Campeonatos da Europa (1996 e 2000), uma fase final de um Campeonato do Mundo (2002), um terceiro lugar em 2000, jogos inesquecíveis de talento puro, raça e entrega, como aquela reviravolta face à Inglaterra, em Eindhoven, no primeiro jogo do Euro 2000, virando o resultado de 0-2 para 3-2, e apontando o segundo golo de Portugal. Não, João Vieira Pinto não merecia que um gesto irreflectido sobre o árbitro do Coreia do Sul-Portugal de Incheon, no Mundial de 2002, fosse o último da sua carreira com a camisola da «equipa de todos nós». Quis o destino que assim fosse. O futebol é, muitas vezes, ingrato para aqueles que o tratam melhor.


















