Jose Aguas - SL Benfica & Portugal NT Legend

A place to remember and discuss our heroes from the past whom thru their great careers have become legends in the history books and in our hearts.

Moderators: quinas1139, slb13

Jose Aguas - SL Benfica & Portugal NT Legend

Postby quinas1139 » May 25th, 2008, 7:31 pm

Jose Aguas


Image


http://www.slbenfica.pt

José Águas (29/09/1930 - 10/12/2000) - Impulsão e elegância

Jogou 13 épocas no Benfica, entre 50/51 e 62/63. Fez 514 jogos (482 como avançado centro). Marcou 438 golos, com 46 hat-tricks pelo meio - 34 de 3 golos, 11 de 4 golos e 1 de 5 golos.

Após a conquista da Taça Latina, a 18/06/50, o Benfica iniciou, com o treinador Ted Smith, uma digressão a África.
No 8º jogo dessa digressão, realizado a 19/08/50, a equipa benfiquista defrontou, no Lobito, a selecção desse distrito angolano, em que alinhava um tal de José Águas e que marcou, então, 2 golos ao Benfica.

Uma semana depois, a 25/08/50, em Sá da Bandeira, Águas estreava-se de águia ao peito frente à selecção de Huíla-Lubango, entrando aos 30 minutos de jogo para rubricar um... hat-trick!

Continuaria no Benfica até vencer, como capitão, duas Taças dos Campeões Europeus! Futebolisticamente muito culto, José Águas primava pela inteligência com que se movimentava no ataque, com ou sem bola.

Detinha uma intuição sagaz e era um exímio executante, ora com a cabeça (109 golos) ou com os pés. Para além de ser um grande goleador, também sabia criar jogo, fintando com assinalável mestria. O seu jogo de cabeça era do mais fino recorte.

Os seus golos em suspensão eram frequentes, graças ao extraordinário poder de impulsão que possuía e ao facto de saltar sempre no tempo certo. Internacional em 25 jogos, capitaneou a selecção em 7 encontros, tendo marcado 11 golos.

Foi o homem que recebeu e ergueu as 2 taças dos Campeões Europeus conquistadas pelo Benfica. Venceu 5 Campeonatos Nacionais e 7 Taças de Portugal. Foi 5 vezes o melhor marcador do Campeonato Nacional - 51/52 (28 golos), 55/56 (28 golos), 56/57 (30 golos), 58/59 (26 golos) e 60/61 (27 golos).

Image

http://www.abola.pt

José Águas – O capitão europeu / 319 golos

Quando chegou a Lisboa, a 18 de Setembro de 1950, poucos seriam capazes de adivinhar que aquele rapaz bem-parecido, com pinta de actor de cinema, seria, 12 anos mais tarde, o grande José Águas, um dos mais notáveis avançados de sempre do futebol português, reconhecido unanimemente como o melhor cabeceador que os nossos estádios conheceram até hoje.
A sua estreia, na Tapadinha, uma semana depois de ter desembarcado, constituiu enorme desilusão. Desenquadrado da equipa, impiedosamente marcado pelos defesas adversários (Armindo e Baptista), o novo ponta-de-lança desiludiu. Quem havia de dizer que aquilo era apenas o mau início de uma carreira fulgurante?
José Águas rompeu com o conceito em vigor na altura quanto ao que e como devia ser um avançado-centro. De um dia para o outro o futebol português passou a ter como referência um jogador de elegância máxima, frio, racional nos esforços, com requinte no modo como tratava a bola e possuidor de um jogo de cabeça único. Já com a braçadeira de capitão e senhor do estatuto de melhor marcador encarnado de todos os tempos — que só muito mais tarde perdeu para Eusébio —, Águas entrou na história como o primeiro português a sentir o peso da Taça dos Campeões Europeus. E sentiu-o por duas vezes. Ao cabo de uma vida inteira a marcar golos, a sua imagem erguendo o troféu conquistado ao Real Madrid, em 1962, ficará para sempre como a mais emblemática. Um momento de felicidade suprema que resume 12 anos fantásticos ao serviço do Benfica.

Estreia no campeonato

24 de Setembro de 1950
Treinador: Ted Smith
Adversário: Atlético
Resultado: 2-2
Incidências: nesse dia ficou em branco, mas na jornada seguinte, frente ao Sp. Braga (8-2), marcou quatro golos

Currículo
Nome completo: José Pinto Carvalho Santos Águas
Data de nascimento: 9 de Setembro de 1930 (Lobito-Angola)
Campeonato Nacional: 5 títulos (54/55, 56/57, 59/60, 60/61 e 62/63)
Taça de Portugal: 7 vitórias (50/51, 51/52, 52/53, 54/55, 56/57, 58/59 e 61/62)
Taça dos Campeões Europeus: 2 vitórias (60/61 e 61/62)
Selecção Nacional: 25 jogos/11 golos
Competições europeias: 21 jogos/18 golos.
Last edited by quinas1139 on May 25th, 2008, 9:13 pm, edited 1 time in total.
ImageImage
User avatar
quinas1139
Portuguese Futebol Legend
Portuguese Futebol Legend
PF Mod
PF Mod
Moderator of the Month Titles
Moderator of the Month Titles
Semi-Annual Awards Titles
Semi-Annual Awards Titles
 
Years of membershipYears of membership
 
Posts: 7831
Topics: 320
Joined: May 16th, 2008, 3:53 pm
Favorite Team(s): Seleccao Nacional de Portugal
Favorite Player(s): Todos que vistem a camisola das quinas!
Semi-Annual Awards Won: [2009-S] Biggest Balls Award
[2009-S] Biggest National Team Supporter
[2009-S] Most Informative User
[2008-W] Biggest Balls Award
[2008-W] Most Dedicated User
[2008-W] Most Informative User
[2008-W] Biggest National Team Supporter
[2008-S] Biggest National Team Supporter

Postby quinas1139 » May 25th, 2008, 9:10 pm

Image


http://www.abola.pt

José Águas
Natural do Lobito (Angola) — 9 de Setembro de 1930


O pai chamava-se Raul. Era daqueles homens que foram para o Sul de Angola em busca de horizontes mais largos para a vida e logo se apaixonaram pela terra quente sempre a cheirar a sonho. Trabalhava muito, não lhe faltando tempo para se dedicar ao boxe.
Para criar a prole, a mãe, que tão cedo enviuvara, teve de pedir sacrifícios aos filhos. Por isso, aos 15 anos, José Águas empregou-se como dactilógrafo na Robert Hudson, empresa de venda de automóveis Ford. Para a equipa de futebol da companhia entrou de imediato, que havia muito que o jeito se lhe notara. Pouco depois estava a jogar no Lusitano do Lobito.
Os seus ídolos eram, então, Rogério e Julinho. O Benfica uma parte de si, do seu coração. Por isso, quando os benfiquistas ganharam a Taça Latina mandou comprar um poster da equipa, que, garbosamente, afixou no seu gabinete de trabalho. Não imaginara, sequer, que pouco depois jogaria com eles. Mais: que lhes ganharia.
Após a conquista da Taça Latina o Benfica partiu em digressão por Angola. Ao Lobito foi jogar com uma selecção do distrito. Quando soube que fora um dos seleccionados para defrontar o Benfica José Águas ficou por minutos em silêncio — como se tivesse descoberto o caminho para um paraíso qualquer e isso lhe arrebatasse a voz. Imagine-se, então, o que sentiria naqueloutra tarde mágica em que a sua equipa bateu o Benfica por 3-1, com dois golos seus, e os dirigentes benfiquistas lhe pediram, entusiasmados, que passasse pelo hotel onde estavam hospedados, ao fim do dia. O F. C. Porto acenara-lhe com convite para testes na Constituição. Pagavam-lhe as passagens de Angola a Portugal. Poderia vir de férias. O canto da sereia não o empolgou. Ainda se fosse o Benfica... Por delicadeza respondera com uma desculpa esfarrapada, prometendo que talvez no ano seguinte. Mas quando Francisco Retorta lhe perguntou se gostaria de jogar no Benfica, José Águas vibrou como se tivesse ganho a lotaria. Assinou logo contrato e pelo Benfica jogou os restantes jogos na digressão angolana. Chegou à Portela a 18 de Setembro de 1950, estreando-se a 24, contra o Atlético. Não foi promissora a estreia. «Quando me deram as botas com pitons foi uma surpresa. Nunca tinha visto tal. Só com travessas. E bem mais surpreendente foi jogar na relva. «Senti-me tão pequenino e tão desorientado que tive vontade de chorar e de pedir que me tirassem dali, que me mandassem de volta ao Lobito.» Jogou mal. Mas oito dias volvidos, com quatro golos ao Braga, conquistou, definitivamente, o coração dos benfiquistas. O Benfica ganhou por 8-2 e nesse dia mostrou à saciedade e à sociedade o jogador que de facto era — não um daqueles arietes que tentavam furar a defesa adversária em jeito de cunha, valendo-se para o efeito dos seus recursos físicos, mas um avançado-centro habilidoso, com uma extraordinária souplesse de movimentos e um poder de salto que lhe permitia chegar (tantas vezes com sucesso) às bolas altas em pleno coração da área.
Nesse tempo Águas ainda não bebia vinho. Por isso os companheiros chamavam-lhe... Águas do Castelo. Gostava de ir para os jogos de chapéu de aba alta. Um dia, antes de uma partida com o Sporting, os colegas queimaram-no, no balneário. Eram as tradicionais partidas ao caloiro.

As garrafas de vinho verde...

Trabalhou com Otto Glória, trabalhou com Béla Guttmann. Talvez o austro-húngaro tenha despertado em si maiores fascínios. Apesar da sua fama de treinador sempre de chicote na mão. A propósito desse jeito quase pretoriano de comandar homens, uma história deliciosa, pouco antes daquele dia de sonho em que José Águas se tornaria o primeiro português a tocar, com os olhos humedecidos de emoção, na Taça dos Campeões. O Benfica, ainda sem Eusébio, ganhara ao Ujpest, que representava meia selecção magiar, por 6-2. Mas Guttmann apenas permitiu que os seus pupilos deixassem o estágio no outro dia às oito da manhã, dizendo que para se ser campeão da Europa eram precisos muitos sacrifícios. Como nenhum director se encontrava, então, no Lar dos Jogadores, José Águas, na sua condição de capitão de equipa, pediu ao mordomo que mandasse buscar uns borrachinhos para uma petiscada, que na terça-feira contaria tudo a Guttmann. Encomenda feita, vieram os pombinhos e... seis garrafas de vinho verde. «Depois de comer tivemos o cuidado de embrulhar os ossinhos, tudo muito bem arrumadinho. As garrafas vazias ficaram em cima do armário. E aí é que foi o diabo! Sempre a tomar conta da situação, às sete da manhã do dia seguinte virei-me para o Cavém, que usava um malão para transportar os equipamentos, e pedi-lhe que metesse as garrafas no saco e as levasse para casa. Mas ele, de tão ensonado, esqueceu-se. Na terça-feira, Guttmann perguntou-me o nome dos jogadores que haviam estado na festança e avisou logo que estavam multados em mil escudos. E ficou pior quando soube que o Cruz, de quem ele gostava muito, também fazia parte do rol. Ele, eu, o José Augusto, o Cavém e o Costa Pereira. Por mais que lhe jurasse que lhe contaria tudo, não perdoou um tostão à multa. Depois de muito suplicar, apenas aceitou que o castigo não ficasse afixado no placard, para que os miúdos não vissem. Mas nenhum de nós lhe levava a mal ser assim. Porque sabíamos todos que o que Guttmann queria era a glória do Benfica e o sucesso de todos nós.»

«Doping» era... brande

De Béla Guttmann se foi dizendo, pelo tempo fora, que, mais que o controlo policial até dos sentimentos dos jogadores, o seu sucesso se fazia, perversamente, através de doping dissimulado em chávenas de chá quente. Para José Águas isso são mentiras mil vezes repetidas até parecerem verdades falsas. «Ainda hoje seria capaz de pôr as mãos no fogo por Guttmann. As nossas vitórias são limpas, limpas como a água mais pura. O nosso doping era outro... Por exemplo, antes da final com o Barcelona, quando ganhámos a primeira Taça dos Campeões, tive um descuído, a sonhar, depois de 11 dias em estágio sem relações sexuais.. Desabafei com o médico do Benfica, Sousa Pinho, que me disse que falasse com ele antes do jogo. Assim fiz. Levou-me ao bar e mandou vir um café e um brande. Foi o meu doping...»

Não gostava de jogar à bola...


Depois das vitórias de Berna e Amesterdão, ambas como capitão de equipa, José Águas ainda esteve, em 1963, em Londres, na terceira final consecutiva do Benfica na Taça dos Campeões Europeus. Guttmann já lançara a maldição e Riera fora a primeira vítima disso. Contra o Milan, o chileno decidiu lançar José Torres em vez de Águas, que assim, com alguma surpresa, foi para o banco de suplentes. «Algum tempo depois Riera pediu-me desculpa por não me ter colocado a jogar. Disse-lhe que quando me afastou da equipa já tinha contrato para ir para a Áustria, onde ganharia umas centenas largas de contos e até ficaria satisfeito com os golos de Torres. Era verdade, era a voz do meu coração de benfiquista, mas Fernando Riera parece não ter ficado muito convencido...»
Da Áustria voltou mais rico. Ainda foi para o Atlético. Como treinador. E, com Matateu na sua equipa, conquistou o título de campeão nacional da II Divisão. Mas não quis seguir a carreira de treinador por muito mais tempo. Preferiu continuar vendedor de automóveis. Aliás, não foi muito de admirar, já que, no seu período áureo, confidenciara que vestia o equipamento de futebolista com «o mesmo espírito com que um operário veste o facto-macaco», porque era assim que ganhava dinheiro e porque «não gostava de jogar à bola».
ImageImage
User avatar
quinas1139
Portuguese Futebol Legend
Portuguese Futebol Legend
PF Mod
PF Mod
Moderator of the Month Titles
Moderator of the Month Titles
Semi-Annual Awards Titles
Semi-Annual Awards Titles
 
Years of membershipYears of membership
 
Posts: 7831
Topics: 320
Joined: May 16th, 2008, 3:53 pm
Favorite Team(s): Seleccao Nacional de Portugal
Favorite Player(s): Todos que vistem a camisola das quinas!
Semi-Annual Awards Won: [2009-S] Biggest Balls Award
[2009-S] Biggest National Team Supporter
[2009-S] Most Informative User
[2008-W] Biggest Balls Award
[2008-W] Most Dedicated User
[2008-W] Most Informative User
[2008-W] Biggest National Team Supporter
[2008-S] Biggest National Team Supporter

Postby quinas1139 » May 25th, 2008, 9:15 pm

Jose Aguas - info in English...

José Pinto Carvalho dos Santos Águas (9 November 1930 – Lisbon, 11 December 2000) was a Portuguese footballer born in Lobito, Angola.

He started his footballing career in a local team, Lusitano do Lobito, before moving to SL Benfica in 1950, where he played until 1963, and gained an almost legendary status.

With Benfica, he won the Superliga five times (1954/55, 1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63) and the Cup of Portugal seven times (consecutively from 1950/51 to 1961/62). He was also the league top scorer five times. He saw great success in European competitions as well, winning the European Cup for two consecutive years, in 1961 (a 3-2 win in the final against FC Barcelona) and the next season (5-3 against Real Madrid). Águas was the captain of his side on both these occasions. Benfica failed to complete a hat-trick of wins when they were beaten 1-2 by AC Milan in the 1963 final, but this time Águas didn't play.

Making his debut on 23 November 1952 in a 1-1 draw with Austria, Águas represented Portugal 25 times, scoring 11 goals in his career. He played his last match for the national team on 17 May 1962, a 1-2 defeat to Belgium. However, he could never represent Portugal in a major competition.

After leaving Benfica, he played for one more season for FK Austria, before retiring in 1964, aged 33.

His son, Rui Águas, has also played for Benfica and the Portuguese national team.
ImageImage
User avatar
quinas1139
Portuguese Futebol Legend
Portuguese Futebol Legend
PF Mod
PF Mod
Moderator of the Month Titles
Moderator of the Month Titles
Semi-Annual Awards Titles
Semi-Annual Awards Titles
 
Years of membershipYears of membership
 
Posts: 7831
Topics: 320
Joined: May 16th, 2008, 3:53 pm
Favorite Team(s): Seleccao Nacional de Portugal
Favorite Player(s): Todos que vistem a camisola das quinas!
Semi-Annual Awards Won: [2009-S] Biggest Balls Award
[2009-S] Biggest National Team Supporter
[2009-S] Most Informative User
[2008-W] Biggest Balls Award
[2008-W] Most Dedicated User
[2008-W] Most Informative User
[2008-W] Biggest National Team Supporter
[2008-S] Biggest National Team Supporter

Re: Jose Aguas - SL Benfica & Portugal NT Legend

Postby quinas1139 » December 5th, 2008, 8:56 pm

Source/Fonte - SERBENFIQUISTA.com
Texto - Benfica, 100 Glórias (de João Malheiro)

José Pinto Carvalho S. Águas. Luanda, Angola. 9 de Setembro de 1930-2000. Avançado.
Épocas no Benfica: 13 (50/63). Jogos: 379. Golos: 377. Títulos: 5 (Campeonato Nacional), 7 (Taça de Portugal) e 2 (Taça dos Campeões).
Outros clubes: Lusitano do Lobito e Rapid Viena. Internacionalizações: 25.


Image
Equipa 1951/1952


Nasceu em Luanda, mas cedo chegou ao Lobito. O pai, de nome Raul, por África diligenciava conforto para o clã Águas. Mais tarde, pouco mais, já viúva, a mãe, desfeita em preces, aos filhos pediu privações. Logo, José Águas, com apenas 15 anos, dactilógrafo se fez na Robert Hudson, empresa concessionário da Ford, que os tempos, esses, de suave nada tinham. Tornou-se jogador da equipa da firma. Instintos revelados, passou a representar o Lusitano do Lobito.

Nasceu benfiquista por influência paterna. Da então metrópole chegavam noticias de uma equipa que a Taça Latina havia ganho. Um poster, já amarelo de gasto, devotadamente colocado no quarto, inspirava o jovem, numa altura em que até nem se (re)via no meio daquelas estrelas, sobretudo Rogério e Julinho, para ele as mais cintilantes. Menos ainda cogitaria José Águas a hipótese de alguma vez defrontar semelhante naipe de campeões. Enganou-se.

Ainda o júbilo pela arrebatante vitória sobre o Bordéus animava as hostes do Benfica, já a equipa peregrinava por África. No Lobito, uma selecção local constituía um dos cartazes. Quando soube que havia sido seleccionado, José Águas sentiu um frémito e tardou a recompor-se. Custa até imaginar como ficou depois do jogo, que venceu por 3-1, com dois tentos da sua lavra, quando os dirigentes benfiquistas lhe pediram para passar no hotel, depois daquele feito perene, intrigante para Ted Smith, treinador inglês do Benfica.

Image


O FC Porto, por telefone, depressa convidou José Águas para férias fazer na Invicta e… treinar-se na Constituição. “Amanhã respondo”, terá dito e desligado de seguida. Só que o amanhã chamou-se mesmo Benfica e vezes sem conta olhou, sempre de soslaio, por timidez até na intimidade, a moldura que lhe dava vida ao quarto, onde só mais uma noite passou a sonhar com delicias garridas. Contrato rubricado e com os novos companheiros partiu à conquista de outras paragens africanas.

Chegou a Lisboa no dia 18 de Setembro de 1950. Na Tapadinha se estreou. Nunca tinha visto um campo relvado, botas de pitões também não. Com apenas um treino realizado, o debute nada teve de auspicioso. Empate a duas bolas com o Atlético, sem que os créditos de goleador fossem exibidos. Mas antes que as criticas subissem de tom, na ronda imediata, com o Sporting de Braga, no Campo Grande, quatro golos marcou, num invejável 8-2.

Pelo Benfica, José Águas viveu muitos anos em que a fábula e a realidade pareceram caminhar de mãos dadas. Cansou-se de vencer, de marcar, de contagiar. Foi ele, é ainda, a papoila mais saltitante do hino de Piçarra ou o melhor intérprete do jogo aéreo que o Benfica alguma vez teve. E Portugal também. É o segundo melhor marcador da história encarnada, depois de Eusébio. Só Eusébio, de resto, poderia relativizar José Águas. Mais ninguém!

Atravessou toda a década de 50 em sistemática laboração pelo golo. Fixou-se no topo dos marcadores em cinco ocasiões. Levantou, triunfante, na qualidade de capitão, as duas Taças dos Campeões, sendo mesmo o artilheiro-mor da primeira. Nos Nacionais, apontou mais golos (290) do que jogos efectuou (282). Já não esteve presente na terceira final europeia, por opção do chileno Fernando Riera. “Algum tempo depois, pediu-me desculpas por não me ter colocado a jogar. Disse-lhe que até ficaria satisfeito com os golos de Torres. Era a verdade, era a voz do meu coração de benfiquista, mas Fernando Riera parece não ter ficado muito convencido”. Nem os adeptos com… Torres.

Pela equipa nacional, 11 golos marcou em 25 jogos. Apreciável registo, em tempos marcados ainda por um certo complexo de inferioridade, que não poucas vezes encolhia, amarfanhava mesmo, os nossos melhores atletas.

Ainda no apogeu, José Águas fez uma revelação surreal. Confessou que vestia o traje de futebolista com “o mesmo espírito com que o operário veste o fato-macaco”, porque era assim que ganhava a vida, já que até “não gostava de jogar à bola”. E se gostasse? Dele, sempre gostaram os benfiquistas, numa divida imorredoura de gratidão.
ImageImage
User avatar
quinas1139
Portuguese Futebol Legend
Portuguese Futebol Legend
PF Mod
PF Mod
Moderator of the Month Titles
Moderator of the Month Titles
Semi-Annual Awards Titles
Semi-Annual Awards Titles
 
Years of membershipYears of membership
 
Posts: 7831
Topics: 320
Joined: May 16th, 2008, 3:53 pm
Favorite Team(s): Seleccao Nacional de Portugal
Favorite Player(s): Todos que vistem a camisola das quinas!
Semi-Annual Awards Won: [2009-S] Biggest Balls Award
[2009-S] Biggest National Team Supporter
[2009-S] Most Informative User
[2008-W] Biggest Balls Award
[2008-W] Most Dedicated User
[2008-W] Most Informative User
[2008-W] Biggest National Team Supporter
[2008-S] Biggest National Team Supporter

Hide Reply Options[Hide] Post a reply


How many days are there in a week?

Enter the code exactly as it appears. All letters are case insensitive, there is no zero.
 

Return to Legends of Portugal

Who is online

Users browsing this forum: No registered users and 1 guest